terça-feira, fevereiro 20, 2007

Mensageiro da Agonia

Al Gore partilhou em Portugal as suas "verdades inconvenientes" perante uma plateia de políticos, empresários, administradores, investigadores e ambientalistas.
Ao contrário do filme Um Dia Depois de Amanhã. Uma Verdade Inconveniente não é ficção. Não tem efeitos especiais. As pesquisas, as histórias e as cenas são reais. O filme é uma palestra com todos os recursos de informática. É um power point já indicado para vários prémios cinematográficos. Extremamente didáctico, o filme motiva e deixa lições importantes. É um curso intensivo de educação ambiental. Al Gore fez o filme em parceria com Lawrence Bender, produtor de quase todos os filmes de Quentin Tarantino, como "Cães Danados".O livro, lançado uma semana depois do filme, já está entre os mais vendidos no mundo, no item não-ficção. O filme-documentário dura 1h40m, prende a atenção e deixa uma mensagem ambientalista na cabeça de todos os que o vêem. Basta ir com o espírito de assistir a uma aula ou a uma palestra de alto nível. Há até muitas pessoas que levam blocos de apontamentos para tomarem notas. O filme de Al Gore já está na lista das 15 obras pré-selecionadas pela Academia de Hollywood para atribuição de um Óscar, na categoria de Melhor Documentário.
Al Gore foi candidato e eleito para deputado aos 28 anos. Ocupou a cadeira no Congresso até 1984, quando foi eleito senador. Chegou a concorrer, em 1988, às primárias pelo partido Democrata. Perdeu para Michael Dukakis. Mas os Republicanos ganharam de forma arrasadora com a reeleição de Ronald Reagan. Foi senador até ser convidado por Bill Clinton para ser seu vice-presidente.Participou, como senador, na RIO-92, a Conferência da ONU para o Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro, em 1992, criticou duramente a administração de George Bush “pai” por não ter conseguido colocar os EUA na liderança das causas ambientais, por não ter assinado o Tratado da Biodiversidade e, pior, por lutar activamente contra os avanços ambientais. Tudo isto está no seu primeiro livro A Terra à Procura de Equilíbrio: "o que desapontou a actuação do presidente Bush no Rio de Janeiro foi o não ter reconhecido este grande desafio moral e ficou surdo perante o grito de ajuda que o mundo enviou aos Estados Unidos".
Qual será o "day after" do filme Uma Verdade Inconveniente? A primeira consequência: na perspectiva de muitos cientistas, ambientalistas e de grande parte da população mundial, é que na eleição e reeleição Bush (2001 e 2006) o grande derrotado foi o planeta. E não foi porque os EUA não assinaram o Protocolo de Kyoto. Foi porque a administração Bush só valorizou o comércio e a indústria, sobretudo o petróleo e a guerra. E acabou com vários compromissos ambientais. O facto de 221 cidades de 39 Estados dos EUA, terem assumido por conta própria medidas para redução das emissões de gases de estufa e o país não ter assinado o Protocolo de Kyoto, é algo que incomoda a consciência de grande parte da população. Os EUA hoje contribuem com 30% das emissões globais de dióxido de carbono.Analistas políticos especulam que, mesmo dizendo-se longe da política partidária activa (para Gore a salvação do planeta não é uma questão política, mas moral), o impacto do filme e do livro podem provocar a sua "ressurreição". A mensagem pela salvação do planeta, com duras críticas ao seu país, podem provocar um efeito benéfico para o planeta. A última mensagem do filme é de âmbito religioso: se vocês acreditam na oração, rezem para que os países, os líderes e os homens tenham coragem de mudar. Mas, enquanto rezam, façam alguma coisa.Todos os lucros do filme e do livro são destinados ao treino de pessoas, em diversos países, para divulgar a mensagem de angústia: o caminho da salvação é o desafio de lutar pela defesa do meio ambiente. A humanidade mostrou que é capaz e já venceu outros desafios. Para Al Gore, hoje, nenhum desafio é tão forte, nenhuma causa é mais urgente e nada é mais improrrogável do que preservar os ecossistemas e proteger o planeta. O que está em jogo é a própria sobrevivência da espécie humana.
">Cada vez mais norte-americanos comungam de uma opinião que Al Gore transmitiu num fórum em Estocolmo: «comigo, jamais invadiríamos um país [Iraque] que não nos atacou, não tiraríamos o dinheiro das famílias trabalhadoras para o entregarmos às famílias ricas, não tentaríamos controlar e intimidar os media, nem torturaríamos, por rotina, as pessoas». Em suma, «seríamos um país diferente». Resta saber se, no futuro, com Al Gore como «mensageiro ambiental», se seremos um Mundo diferente ou se um Mundo a sofrer as amarguras do aquecimento global.
Confesso que fiquei satisfeito por ver que as opiniões de Al Gore vêm ao encontro de muitas das linhas que defendo.
Carlos Monteiro

terça-feira, janeiro 30, 2007

Pelo sim...



A questão da interrupção voluntária da gravidez é, antes de mais, um assunto bastante delicado e não podemos esquecer que cada caso é um caso e cada mulher que interrompe a gravidez tem as suas razões para o fazer. Nenhuma mulher vai para uma clínica fazer um aborto com o mesmo espírito que vai ao cabeleireiro ou ao dentista.
Por isso, precisamos de uma lei que se aplique de igual forma a todos os cidadãos do nosso país, não esquecendo que, o que está em questão é se as mulheres que recorrem à interrupção voluntária da gravidez até às dez semanas, devem ou não ser penalizadas por esse acto.
Finalmente, a onze de Fevereiro do próximo ano lá irão, novamente, os portugueses pronunciarem-se sobre tão delicada questão. Agora, é muito provável que a demagogia e o terrorismo verbal irrompam sempre que de interrupção voluntária da gravidez falarmos. E o referendo, como terreno fértil que é, ampliará esses ecos, ao invés de termos um debate mais sob o signo da razão. Para ser assertivo, direi desde já que sou pelo “Sim”. Porque acho razoável que até ás dez semanas esta questão seja do domínio do livre arbítrio da mulher e do seu círculo íntimo. Não posso concordar em deixar tudo como está; manter uma absurda lei penal que, longe de inibir a prática do aborto, empurra as mulheres para as margens da clandestinidade, criando um problema de saúde pública que importa resolver. Além disso, a lei penal não pode ser a mera de tradução juízos éticos ou morais. Arrastar esta discussão (são dilemas que não cessarão de existir) para o domínio do penal é de raiar o absurdo. Acredito que a mudança da lei criará, a prazo, as condições para reduzir o aborto à sua mínima expressão social.
Aqui, não se trata sequer de defender o aborto em si, mas de reconhecer a maternidade como uma opção, um acto de amor, e não uma função meramente biológica, ou uma fatalidade. Significa dizer que o mais importante é colocar à disposição do casal – em especial da mulher – todos os instrumentos disponíveis para assegurar o direito de decisão. Significa, da mesma forma, e isso afirmo sem medo de interpretações capciosas, regulamentar e colocar ao alcance da fiscalização sanitária uma prática vulgarizada em ambientes supostamente clandestinos, inseguros, que movimenta no nosso país milhares de Euros por ano, dos quais uma boa parte serve para alimentar a corrupção e a cumplicidade dos poderes públicos.
Recentemente o Cónego Tarsício Alves, num boletim distribuído na paróquia de Castelo de Vide, escreve que o funeral religioso está impedido aos cristãos que defendam o aborto, acrescentando que são excomungados "automaticamente" pela lei da Igreja.
Então e nos países mais católicos da Europa como a Itália e a Áustria, os cristãos também foram excomungados?
Ao manter-se numa posição cega em relação a um quadro tão grave, em Portugal, a Igreja católica vai acabar por sentir o mesmo desgaste que teve noutros países Europeus, onde as catedrais tem sido mais frequentadas por turistas, curiosos sobre o fausto e o ouro exibido nos seus altares, do que por fiéis na procura de paz e protecção divinas. E ainda configurando-se, mesmo a contra gosto, como a grande aliada da rede de corrupção que se robustece na ilegalidade consentida.
Hoje discutimos a mudança da lei, o corte com esta longa e inacreditável história. Recusar votar esta lei é manifestar vontade de manter esta situação – é exactamente isto. A cada um dos portugueses, cabe fazer essa escolha, em consciência. - Se querem manter as redes de aborto clandestino ou não; - Se querem manter a perseguição e o julgamento de mulheres ou não; - Se querem recusar às mulheres portuguesas a autonomia nas suas escolhas familiares ou não;
Basta de assobiar para o lado e fingir que nada se passa de preocupante. Até quando Portugal vai divergir de outros países socialmente desenvolvidos, continuando a pôr em risco a saúde e a vida de muitas mulheres. Defender a IVG, trata-se de garantir o exercício pleno da cidadania, do respeito aos princípios de igualdade que regem um Estado democrático.
Carlos Monteiro

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Educação ambiental


Educação Ambiental

A Educação é a base para o desenvolvimento de um país, pois através dela as pessoas adquirem conhecimentos para exigir os seus direitos e cumprir os seus deveres, ou seja, as pessoas têm condições de desempenhar o seu papel de cidadão. É a participação cidadã que surge como “mola mestre” na solução dos problemas ambientais e na proposta de conviver em sociedade e com a natureza. A participação pode-se dar nos mais diversos níveis: no caso da participação em relação à resolução de problemas ambientais, ela é a principal das profundas transformações que estão a ocorrer para assegurar a convivência democrática, sustentável e harmónica dos seres humanos entre si e com o meio ambiente.
A educação ambiental deve ser um processo crítico, participativo, actuante e sensível que reforce o elo entre a sociedade e órgãos que actuam nas questões ambientais, na procura da consciencialização e da aquisição de valores, comportamentos e práticas mais éticas e responsáveis em relação ao meio ambiente. Este processo deve afastar-se da pedagogia exclusivamente informativa e da abordagem moralizadora e convencional, incorporando vivências de sensibilização, criação e reflexão.
A consciencialização só poderá ser atingida quando é prestada na própria comunidade e não a partir da doação externa de valores. De uma maneira geral, quanto maior for a participação dos cidadãos na construção dos instrumentos de educação, melhor serão os seus resultados. Para que as pessoas de facto se preocupem e se responsabilizem pelas suas acções, desenvolvendo o sentido de cuidado e de conservação, é fundamental que se construam relações mais interactivas, críticas e mobilizadoras.
Algumas intervenções na educação ambiental, abordam os problemas ambientais de forma pontual, às vezes de uma maneira ingénua e utilitarista, relevando a construção de um processo sistémico. Infelizmente essas abordagens têm sido frequentes e predominantes no tratamento das questões relacionadas com os nossos recursos. Uma abordagem mais profunda é necessária, pois proporciona-nos uma percepção mais ampla e integrada das relações ser humano/ambiente. Nela estarão considerados os aspectos políticos, éticos, sociais, tecnológicos, científicos, económicos, culturais e estéticos, principalmente quando conduzida numa perspectiva transdisciplinar, global e equilibrada.
É ainda fundamental que se estabeleça uma sólida coerência entre as concepções e práticas educativas e os princípios que regem o paradigma ambiental emergente. Por isso, a importância de ser avaliada uma ideologia subjacente a todas as práticas.
Nessa perspectiva, é importante a realização de trabalhos, fóruns e acções conjuntas que valorizem processos de auto-desenvolvimento e a afirmação da comunidade onde estamos inseridos, em especial na gestão dos recursos colectivos e de interesses difusos.
Por isso, uma vez que admitimos o termo preservar, é vital do ponto de vista de consciencialização ambiental, o seu significado deverá ser utilizado, com as comunidades locais, como um dos princípios da educação ambiental.
Também a pedagogia crítica e libertadora de algumas associações ambientais, apoiada em processos locais bem fundamentados e adaptada a situações concretas que se impõe a cada realidade, pode ser tomada como um referencial.
Estimular iniciativas de formação e outros agentes multiplicadores e a troca de experiências é algo essencial. O estabelecimento de redes de comunicação e troca de experiências no âmbito ambiental pode prever, além do uso da informação disponível, a realização de encontros e seminários locais ou regionais que, entre outros aspectos, promovam a integração da comunidade relacionando o conhecimento científico e ambiental. As iniciativas devem contemplar a realidade local sem, no entanto, perder de vista as perspectivas regionais e nacionais.
É oportuno também evidenciar a necessidade de ampliação dos horizontes ambientalistas e da construção de uma visão mais abrangente e profunda da questão ambiental. O papel das associações ambientais é fundamental e já apresenta um histórico consistente em muitas áreas do nosso ecosistema. Neste capítulo tem sido notório o trabalho desenvolvido pela AAMARG, no nosso Concelho
Para vivermos o nosso quotidiano de maneira mais coerente com os ideais de uma sociedade sustentável e democrática, é necessária uma educação que repense as velhas fórmulas de vida.

Carlos Monteiro

quinta-feira, janeiro 18, 2007

MIlhões... e mais milhões



21.500.000.000 ... é o montante em euros dos fundos comunitários que estão previstos para Portugal
O Conselho de Ministros aprovou o Quadro de Referência Estratégico Nacional 2007/2013, que define a aplicação de 21,5 mil milhões de euros dos fundos da União Europeia entre 2007 e 2013. Qualificação e Competitividade são as prioridades...
Com mais esta remessa de fundos comunitários (que deverá ser a última) Portugal tem mais uma oportunidade de se desenvolver e de ver algumas das suas deficiencias atenuadas. Nos ultimos anos, em que a proliferação de cursos de formação foi mais que muita como sabemos, em que quase todas as familias viram alguem do seu agregado familiar envolvido neste ou naquele curso de formação, custeado pelos fundos europeus claro está, os resultados não foram talvez os esperados. Ora bastará ver quantas das formações foram de factos aproveitadas para um desenvolvimento económico-social, não querendo contudo dizer que foram supérfluas, creio contudo ter havido um crescimento desmesurado, bem como um aproveitamento sobretudo dos "salários" que auferiam quem as frequntava, sem que depois tenha havido qualquer desenvolvimento ou aproveitamento das mesmas.
No país em que os governantes assumem que um aumento de impostos até é bom porque obriga a poupar (?) , mas em que se esquece que a maior parte da população não tem como pagar o que consome, quanto mais poupar, essa medida funcionará para aquele pequeno grupo dos que do rendimento que auferem conseguem guardar algo.
Surgem então vozes apelando ao desenvolvimento na forma de tres agendas, apoiadas no QREN:
Agenda para o Potencial Humano
*promoção das qualificações escolares e profissionais dos portugueses
*promoção do emprego e da inclusão social
*valorização da igualdade de género e da cidadania plena;
Agenda para os Factores de Competitividade
*estimular a qualificação do tecido produtivo
*desenvolvimento tecnológico
*estímulo do empreendedorismo
Agenda para a Valorização do Território
*dotar o país e as suas regiões e sub-regiões de melhores condições de atractividade para o investimento produtivo e de condições de vida para as populações
*Reforço da Conectividade Internacional, das Acessibilidades e da Mobilidade, Protecção e Valorização do Ambiente, Política de Cidades e Redes, Infra-estruturas e Equipamentos para a Coesão Territorial e Social.
A prioridade agora será então a Qualificação a par da Competitividade. No nosso concelho, onde apesar de nos ultimos anos a escolaridade média ter aumentado significativamente, o desemprego também a acompanha, surgindo nas estatisticas um cada vez maior número de licenciados na situação de sem trabalho, ou sem emprego como preferirem. Os Mirenses (e os Portugueses em geral) assumem com frontalidade que os fundos comunitarios são utéis para o pais, mas se questionados se os fundos contribuiram de facto para o desenvolvimento social e económioco do pais a resposta talvez seja outra. Quem não se lembra de nos idos anos de 90 surgirem regularmente noticias sobre eventuais utilizações fraudulentas desses mesmos fundos? Quem não se recorda de ouvir falar que fulano tal mal recebeu os fundos para desenvolver a sua empresa logo se apressou a comprar uma viatura "topo de gama? E como estas muitas outras desconfianças sobre o destino desses milhões...
Em zonas menos providas de investimento estes fundos são uma mais valia, não que também não o sejam para as zonas mais desenvolvidas, mas é nestas zonas, como Mira, que este precioso auxilio ao desenvolvimento poderá marcar a diferença. Pois numa altura em que a tão badalada crise económica estende os seus tentáculos nada melhor que um fundozinho comunitário para animar a malta. Os dados estão na mesa, falta quem jogue...
Faltam projectos, faltam empreendedores, falta sobretudo uma mentalidade pró futuro, uma mentalidade de vencedores. Numa terra em que os "velhos do Restelho" continuam a ditar as suas regras é preciso que a nova geração, essa já mais habilitada (mas não forçosamente "qualificada"), suba as mangas e se agarre ao trabalho. Que criem projectos, baseando a sua actividade nas pessoas e nos saberes, apoiados por verbas comunitárias claro está, mas sobretudo apoiados em si mesmo, apoiados no seu "savoir faire" antes de qualquer dinheirinho fácil. Pois esse facilmente se perderá tal como areia por entre os dedos se não se souber aplicar, enquanto o saber esse fica, e pode produzir frutos...
Vamos plantar hoje para colher mos amanhã, o futuro pertence nos.
João Luís Pinho

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Ainda a Pescanova...


O ministério da Agricultura admitiu, esta segunda-feira, que a unidade de aquacultura que a Pescanova quer instalar em Mira, está prevista para uma zona de Rede Natura, mas garantiu que o projecto não representa qualquer problema ecológico;
Mas como nestes assuntos há sempre mais que uma opinião
A Quercus considera grave que o Governo apoie o projecto da multinacional Pescanova para criar uma unidade de aquicultura no concelho de Mira, lembrando que a infraestrutura vai ser construída numa zona que integra a Rede Natura 2000.


Segundo esta organização a construção do projecto esteve inicialmente prevista para Cabo Tourinan, na Galiza, mas acabou por ser chumbada por estar prevista a sua instalação numa zona com o mesmo estatuto de protecção ambiental.
Riscos ambientais
A associação ambientalista admite que a produção de peixe em cativeiro tem algumas vantagens ambientais — como a redução da pressão sobre a captura de espécies selvagens —, mas afirma que acarreta problemas ecológicos (em especial se for feita de forma intensiva) devido à libertação na água de elevadas quantidades de matéria orgânica e antibióticos.A Quercus lembra que a fábrica ficará localizada a escassas centenas de metros da praia, o que implica a destruição de mais de cem hectares de terrenos florestados ou com vegetação dunar.A associação alerta também para os riscos da construção do empreendimento junto à costa, em terrenos próximos do cordão dunar, numa zona sujeita à erosão do mar e com inertes em suspensão. "É oportuno olhar para o que se passa na Costa da Caparica, com obras de emergência que procuram proteger bens que em tempos um cordão dunar parecia proteger da acção do mar, mas que hoje praticamente desapareceu", refere a Quercus."Qualquer que seja o desenrolar do processo para a fábrica de Mira, será sempre obrigatória a execução de um estudo de impacto ambiental, que inclua a ponderação de localizações alternativas em zonas menos sensíveis ambientalmente", sublinha a associação.
Quercus chama mesmo os governantes Portugueses de “permissivos”
A Quercus considera grave o facto de o Governo português aceitar e apoiar um projecto que foi recusado em Espanha pela Junta da Galicia (governo autonómico galego), precisamente pelo facto de ter sido previsto para uma zona de Rede Natura 2000.O dirigente da Quercus Hélder Spínola em declarações que fez lembrou que, ao contrário do Governo português, as autoridades galegas demonstraram uma "atitude responsável do ponto de vista ambiental". "O investimento acabou por vir para um país onde o Governo é mais permissivo".
O estranho é que num projecto desta dimensão onde já tanto se falou, O estudo de impacto ambiental ainda não tenha sido apresentado, o que não exclui a hipótese da localização do projecto ainda vir a ser alterada caso o resultado da avaliação seja desfavorável quanto à localização.
Unidade da Pescanova será equivalente a um mega aviário ou uma mega pocilga
“A criação de peixes em viveiro é equivalente à criação de frangos, suínos e outros animais, em aviário. O produto final é péssimo, completamente contaminado por agentes químicos resultantes da alimentação ministrada e tratamentos aplicados, tal como na produção de frangos, suínos e outros, prejudicando enormemente a saúde das pessoas que optam pela sua aquisição por ignorância e por falta de disponibilidades económicas. O meio ambiente irá ser profundamente contaminado. Esse é sempre o resultado da utilização de processos não naturais de evolução. A saúde das pessoas depende daquilo que se come. Peixes de aviário só farão mal à saúde. Sairão beneficiados, apenas economicamente, todos aqueles que de alguma forma estão envolvidos nesta industria de produção de alimentos de má qualidade, assim como pessoas e instituições que tratam da saúde das pessoas – a industria farmacêutica, pessoal médico e afins, para quem o lucro está associado ao aumento da doença e cresce na razão directa do mau estado de saúde das pessoas. Mas no conjunto a sociedade portuguesa perde, pois as pessoas que a constituem perdem saúde.”Na Praia da Tocha, poucos quilómetros a sul do empreendimento agora previsto para a Praia de Mira, existe outro idêntico, também de origem espanhola, de criação de pregado em regime de aquicultura (mas esta de bem menores dimensões).

João Luís Pinho

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Parque de Campismo em obras... será que é desta?



"O parque municipal de campismo de Mira vai ser requalificado. As obras iniciam-se em Fevereiro e contemplam 21 unidades de carácter complementar destinadas a alojamento. João Reigota disse ontem que as obras de requalificação do parque municipal de campismo da Praia de Mira vão arrancar já no próximo mês. O autarca explica que a empreitada está «praticamente adjudicada».


No edifício que serve de recepção (já construído), será adaptado à utilização de pessoas com mobilidade reduzida, vai ser construída uma lavandaria de acesso ao público que comportará cinco máquinas de lavar e quatro de secar roupa e duas tábuas de engomar para juntar a outras infra-estruturas já existentes, como os 42 lava louças e 48 lava roupa. O projecto de requalificação propõe ainda a construção de um campo de jogos, uma piscina de adultos e crianças, sala de convívio, mini-mercado e restaurante/bar. Estes edifícios de utilização comum e carácter social serão projectados na zona junto à rede de vedação a nascente do parque, uma zona considerada «muito tranquila para acampar» devido à via de circulação que passa junto deste local. As instalações de serviço para caravanas e auto-caravanas contemplam 151 alvéolos com abastecimento próprio de água, estando previstas ainda 21 instalações de alojamento sob forma de bungalows apoiados em estancaria com um só piso e 54 metros quadrados de área de implementação, sendo a capacidade máxima por unidade de seis utentes.Com esta remodelação, o parque municipal de campismo da Praia de Mira fica com uma capacidade de 151 alvéolos para caravanas; 160 para tendas familiares; 66 para canadianas, o que equivale por dizer que esta nova infra-estrutura vai albergar, comodamente e com todo o conforto, no próximo Verão, cerca de 2.400 utentes.As obras de requalificação estão orçadas em cerca de 1,2 milhões de euros, enquanto que as 21 unidades complementares destinadas a alojamento (bungalows) vão custar 1,1 milhões de euros.
Ao serem efectuados estes trabalhos poder se a finalmente encarar o Parque campismo municipal de Mira como um parque de campismo e não como um acampamento (pois nos ultimos anos a desorganização foi muita, duvidando os utentes das promessas de obras, encarando as como mais uma manobra de marketing ou mera cosmética promocional)
Autarquia quer gerir tambem o parque de campismo do FAOJ, da responsabilidade do Instituto Português da Juventude/Movijovem, em estado de abandono e quase degradação, está nas cogitações do executivo camarário de Mira. João Reigota disse ontem que estão em curso negociações «para a transferência do parque para a Câmara», estando para isso na disposição de assumir [a autarquia] todas as responsabilidades «na gestão do parque e do seu funcionamento», referindo que na próxima semana conta ter uma reunião com a entidade responsável pela administração do parque [IPJ] no sentido em aferir a viabilidade ou não de esta entidade transferir a gestão do referido parque para a autarquia de Mira.«Temos alguma urgência na resolução deste caso, porque pretendemos que o parque seja, também, aberto no Verão deste ano», explicou o autarca.À semelhança do que aconteceu no Verão passado, durante o qual a Câmara de Mira teve por sua conta a Pousada da Juventude (vertente campo de férias), o edil de Mira sublinha que apenas pretende rentabilizar o parque de campismo do FAOJ. E para que isso aconteça – e possa (re)abrir neste Verão de 2007 -, é preciso, antes de mais, que as negociações resultem e, a seguir, se façam algumas obras de recuperação, «o que demora sempre algum tempo». Por isso a urgência (e vontade) da transferência deste parque para a Câmara mirense.Recorde-se que o parque de campismo do FAOJ abriu na Praia de Mira em 1975 (mais de 30 anos), tendo vivido um período áureo na década de 1980, com grande afluência de utentes sobretudo jovens, que o preferiam aos demais, não só pelas condições especiais que oferecia, a nível de preços, mas também de ambiente e convívio. A autarquia de Mira está interessada na reabertura deste parque porque, na óptica de João Reigota, o concelho é uma referência na geografia do campismo em Portugal, com três parques (Municipal, Orbitur e Vila Caia), sendo que, com a abertura do parque do FAOJ, Mira passaria a ter quatro parques de campismo em funcionamento, o que não acontece em qualquer outro concelho."
JoãoPinho/adap.DC

sábado, dezembro 23, 2006

Energias renováveis


As energias renováveis são provenientes de ciclos naturais de conversão da radiação solar, que é a fonte primária de quase toda energia disponível na terra. Por isso, são praticamente inesgotáveis e não alteram o balanço térmico do planeta. As formas ou manifestações mais conhecidas são: a energia solar, a energia eólica, a biomassa e a hidroenergia.
Actualmente a maior parte da energia utilizada pela humanidade provém de combustíveis fósseis – Petróleo e carvão mineral, entre outros. A vida moderna tem sido movida à custa de recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formarem. O uso desses combustíveis em larga escala tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do Planeta, provocando o aquecimento global, degelo nos pólos, chuvas ácidas e o envenenamento da atmosfera e de todo o meio ambiente. As previsões dos efeitos decorrentes para um futuro próximo, são catastróficas. Alternativas como a energia nuclear, que eram apontadas como a solução definitiva, já mostraram que só podem piorar a situação. Com certeza, ou procuramos soluções limpas e ambientalmente correctas ou seremos obrigados a ter de mudar os nossos hábitos e costumes de maneira traumática.

A utilização das energias renováveis em substituição de combustíveis fósseis é uma opção viável e vantajosa. Pois, para além de serem praticamente inesgotáveis, as energias renováveis podem apresentar um impacto ambiental muito baixo ou quase nulo, sem afectar o balanço térmico ou a composição atmosférica do planeta. Graças aos diversos tipos de manifestações, disponibilidade de larga abrangência geográfica e das variadas possibilidades de conversão, as energias renováveis são uma excelente alternativa aos combustíveis fósseis.
Acontece que o consumo de energia em Portugal – apesar das oscilações do PIB – tem mantido nos últimos anos um firme aumento médio de 5%, sendo que no primeiro semestre de 2006 foi registado um aumento de 6,3% no consumo.A este aumento nos consumos terá obviamente de corresponder um aumento da potência a instalar, também de renováveis, para garantir a percentagem a que estamos obrigados em 2010.Actualmente estima-se que num ano hidrológico médio, a percentagem de renováveis se situe nos 21% incluindo, claro está, a fonte hídrica, pelo que nos encontramos a 18% do objectivo para 2010.O sector das energias renováveis encontra, apesar de algum dinamismo demonstrado, vários obstáculos a uma maior afirmação, fundamentalmente de ordem burocrática, à qual não será estranha a alteração de paradigma energético beliscando fortemente os interesses dos combustíveis fósseis.
Há que voltar a apostar no espírito do programa E4, em dar uma oportunidade às regiões e às autarquias para, com o mercado eléctrico liberalizado, ficarem livres das teias da burocracia, podendo desenvolver os seus projectos e ligarem à rede de baixa ou média tensão as suas unidades produtoras de electricidade de origem renovável.Com esta importante questão resolvida com base no potencial eólico do país, hídrico e solar, conjugados nas centrais de bombeio e outros modernos sistemas de acumulação de energia, o país avançará de forma decisiva para a era da economia do hidrogénio.
Todos temos de apoiar as energias alternativas. Deste apoio depende a nossa independência energética, bem-estar ambiental e social. E que ninguém duvide: O que não pagarmos hoje por energias limpas, pagaremos amanhã por petróleo associado à dependência do fornecimento, ao ambiente poluído e às roturas de abastecimento que os senhores do crude decidirem.
Ao optar-mos por energias renováveis, certamente que diminuirão os custos e os impactos, dos quais o nosso país tem péssimos quadros. Infelizmente, Portugal não tem investido muito no desenvolvimento de tecnologias de aproveitamento dessas fontes. Fica a pergunta: Até quando seremos "um país de futuro" se não investirmos nele?
Carlos Monteiro

terça-feira, dezembro 19, 2006

Reigota abandona


"O presidente da Câmara de Mira, João Reigota, apresentou a demissão do cargo de presidente do Conselho de Administração da Associação da Incubadora do Beira Atlântico Parque (AIBAP). Amanhã, em assembleia geral, os sócios maioritários da AIBAP, a Câmara de Mira e a Associação Beira Atlântico Parque, que tem sede em Cantanhede, devem indicar um substituto. Há já dez dias que João Reigota escreveu ao presidente da Assembleia Geral pedindo a demissão do cargo que ocupava na Incubadora, que é o primeiro pólo do Beira Atlântico Parque, e onde já laboram empresas na área da biotecnologia, telecomunicações e segurança alimentar.
As razões, referiu ontem o autarca ao JN, serão explicadas apenas amanhã, no encontro com os restantes órgãos. Aquele que, ainda em Novembro passado, foi classificado como um projecto de interesse público para o concelho está sem líder, mas por pouco tempo, já que, segundo o administrador delegado, Vítor Cardial, "o lugar tem que ser preenchido imediatamente porque o Conselho de Administração é um órgão tripartido que toma as decisões estratégicas fundamentais". Assim, apesar do quotidiano da AIBAP não ter ainda sido afectado pela demissão de João Reigota, as linhas de orientação, como sejam as de lançamento de projectos ou aposta em determinada área, estão amputadas porque os outros dois membros do Conselho de Administração, Victor Cardial e António Santos, "não se sentem totalmente legitimados em assumir este tipo de decisões sozinhos", sublinha o administrador delegado. Sem comentar a decisão de Reigota, Cardial sublinha que espera continuar a contar com o apoio da Câmara de Mira.
A Incubadora de Mira, que funciona provisoriamente na antiga sede da Cooperativa Agrícola, deverá inaugurar as instalações em Fevereiro de 2007. O edifício é composto por uma área de três mil metros quadrados que se distribui por 30 espaços para empresas, salas de formação, serviços administrativos, restaurante e parque de negócios."
(T.Mota/JN)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Pescanova e o Ambiente


Ambiente: Uma parte integrante da filosofia da Empresa Pescanova
Até meados do século passado, não se esperava das empresas mais do que cumprir com suas obrigações básicas: fabricar bons e confiáveis produtos a preços justos, pagar salários compatíveis aos seus funcionários e cumprir com as suas obrigações fiscais. As Empresas eram ilhas impessoais e estanques da sociedade. Felizmente hoje, as coisas mudaram muito. Agora, além de cumprirem com as suas obrigações, as Empresas estão a sair dos seus casulos, arregaçando as mangas colaborando para uma vida melhor de toda a sociedade. De facto, são pressionadas por uma nova visão do consumidor – exigente não só em relação à qualidade e ao preço do produto, mas também com a sua participação na sociedade e no meio ambiente – despertadas para a realidade do mundo que as cerca, as Empresas assumiram a sua parcela de responsabilidade para fazer a diferença no seu tempo e espaço. Foi o que se denominou de responsabilidade social. Que, em última análise, nada mais é do que não assistir impassível a uma avalanche de desafios. É não virar as costas para questões que ultrapassam os limites de uma cadeia de negócios, como as diferenças sociais, o respeito à diversidade e à preservação do meio ambiente
A preservação do meio ambiente requer mudanças de comportamento individuais e colectivas. Repensar e reconstruir as relações com a natureza são os grandes desafios que as pessoas e as empresas decidiram assumir. É impossível operar, hoje, uma empresa sem uma séria e visível preocupação ambiental.
Todos sabemos da grandeza do projecto que irá ser construído no nosso concelho, mas existem algumas dúvidas, por isso trouxe-vos aqui hoje, um recorte de uma entrevista, devidamente traduzida, de um director da Empresa Pescanova. Esta entrevista talvez venha dissipar algumas dúvidas que possam surgir sobre questões ambientais. Passo a citar:
Na Pescanova, a preservação do meio ambiente é uma filosofia presente em todas as unidades do Grupo e reflecte a sua preocupação com o bem-estar e a qualidade de vida dos colaboradores e consumidores. É prioridade número um no desenvolvimento de produtos, nas matérias-primas, produção, entrega e disposição dos nossos produtos.
A protecção ambiental é um dos princípios de nossa gestão. Temos a certeza que a adesão a práticas de protecção ambiental representam uma contribuição importante para a nossa empresa.
Os princípios a seguir aplicam-se a todos os colaboradores da Empresa. Esses princípios demonstram que assumimos a nossa responsabilidade na sociedade, fazendo a nossa parte ao preservar o bem-estar de todos, hoje e para as gerações futuras.
Em todas as instalações fabris temos um eficiente sistema de gestão ambiental, que está sujeito a medidas de melhoria contínua. Alinhamos as nossas instalações à tecnologia de ponta. Os nossos parceiros estão incluídos nas nossas metas ambientais.
Comprometemo-nos a seguir a legislação e especificações ambientais. Auditorias ambientais realizadas periodicamente avaliam as conformidades. As exigências internas superam e vão além das regulamentações dispostas nas legislações governamentais. Avaliamos regularmente os impactos que as nossas operações causam ao meio ambiente, bem como o sucesso do sistema de gestão ambiental.
Em todas as actividades, queremos prevenir impactos danosos ao meio ambiente através de planeamento adequado e antecipado. Usamos matéria-prima e energia alternativa com economia. Não poupamos esforços em gerar o mínimo de lixo possível. A reciclagem de lixo para fins benéficos é mais importante do que seu desaparecimento. Acções ambientais adequadas atendem à redução de consumo de água, ruído e outras emissões.
Fabricamos produtos ecologicamente correctos, considerando todo o ciclo de vida útil do produto – desde o seu desenvolvimento até à sua reciclagem ou até ao seu novo uso.
Informamos regularmente os nossos colaboradores sobre as questões ambientais e mantemos programas de formação para consciencializar e fomentar um comportamento responsável em relação ao meio ambiente.
Queremos proteger os nossos colaboradores contra os perigos da saúde e prevenir danos ao meio ambiente. Para tal, implementamos medidas abrangentes de prevenção de acidentes e limitação dos efeitos danosos ao meio ambiente.
Mantemos canais abertos de comunicação com os nossos clientes. Fornecemos informação sobre os efeitos ambientais em cada local onde laboramos. Autoridades e associações recebem a nossa total cooperação.
A Administração da Empresa e todos os colaboradores estão comprometidos com esta política ambiental.
Espero muito sinceramente que assim seja...desejando que tudo corra bem!
Carlos Monteiro

terça-feira, dezembro 12, 2006

Interesse Publico na Herdade Lago Real


O executivo da Câmara Municipal de Mira aprovou com o voto de abstenção de L.Mesquita, a proposta de interesse público para o empreendimento turistico Herdade do Lago Real.
Finalmente o empresário M.R.Frade vê o seu empreendimento situado na Lagoa de Mira em boas prespectivas no que diz respeito à sua abertura, visto ter pendente sobre si um constrangimanto legal que não lhe permitiu ainda funcionar.
A proposta que o executivo de João Reigota levou a reunião não mereceu total consenso, sofreu ainda algumas alterações por sugestão da oposição social democrata.
"Localizado entre Mira e a Praia de Mira, em Lagoa, próximo de outro complexo turístico do mesmo empresário, o empreendimento está construído numa área de cerca de 40 hectares, reunida por compra de cerca de 150 parcelas de terreno. Dirigida ao sector do chamado turismo de "charme", com construções rústicas de qualidade, incluindo restaurante, hospedaria, picadeiro e um campo relvado de futebol e balneários, para além de uma extensa área de lazer, com lagos e floresta, a herdade tinha pendente embargo municipal, que considerou ilegais as construções, no entendimento de que violariam o ordenamento do território e que os licenciamentos de algumas das construções sofriam de ilegalidade.
O empresário não estaria também disposto a fazer um plano de pormenor que deveria considerar as diversas construções num único licenciamento. As diversas autorizações de construção individualizadas e o facto das infra-estruturas estarem implantadas em parcelas diferentes sustentava essa posição.
Como "primeiro passo" para que a herdade possa ter enquadramento legal e funcionar, a Câmara votou, ontem, o interesse público municipal do empreendimento. Dos sete membros do órgão, registou-se apenas uma abstenção, de uma vereadora da minoria PSD e que exerceu no mandato anterior. L. Mesquita só não votou favoravelmente como os seus pares porque não estava expresso na proposta que se tratava de um "primeiro passo" para a legalização do empreendimento. O interesse público municipal terá ainda que ser votado na AM, possibilitando depois a legalização das construções e o respectivo licenciamento para funcionar. "
(in JN-adp.)

Triângulo Dourado : Politica, Futebol e betão

Em Coimbra, o Presidente da Académica/OAF, José Eduardo Simões, foi acusado pelo Ministério Público de corrupção passiva para acto ilícito, no âmbito de um processo em que também são arguidos dois empresários ligados ao sector da construção civil, estes suspeitos da prática de corrupção activa para acto ilícito.
No Porto Pinto da Costa e Valentim Loureiro, também a braços com questões judiciais, vêem agora o seu nome nas paginas do recente livro de Carolina Salgado (ex-namorada, companheira amiga ou amante de Pinto da Costa, conforme a posição do leitor) onde esta o acusa de ser o mandante de uma tareia de foi vitima um antigo vereador da Câmara de Gondomar (Dr.Bexiga). E as ligações perigosas entre o mundo da política e do futebol não param por aqui.
“A bem da credibilidade esperava que muito disto fosse investigado e tornado público, porque isto não é o fenómeno de futebol, é o principal vértice do triângulo sujo e corrupto que é composto pelos interesses de construção civil, o Futebol e a política. Como estão os processos de Isabel Damasceno ou Fátima Felgueiras? Sim que não é só Valentim Loureiro, há mais e se houver vontade muitos mais aparecerão. Lembram-se do caso do plano de pormenor das Antas e de Nuno Cardoso, o plano que depois foi abortado e censurado por Rui Rio, que preferiu favorecer com outro plano de pormenor na zona do estádio do Bessa o Boavista F.C. Muitos outros casos se poderiam relatar, como o de Fernando Barata em tempos presidente do S.C. Farense que ameaçou contar o que sabia de viagens a África de dirigentes políticos e desportivos se o seu projecto imobiliário/desportivo, fosse vetado. Certo é que o projecto foi vetado e a pessoa em questão bafejado com 3 empreendimentos que estavam pendentes e tudo se ficou por ali”, (já se esqueceram do famoso “toiro de cobrição”?)
Por todo o país, nos vários distritos e nos diversos concelhos que os compõem, as suspeitas, ainda que muitas vezes sob a forma de conversa de café, ou através do tão latino “diz que disse”, são mais que muitas de ligações menos correctas entre o desporto rei e a politica.
Pela nossa “bela localidade” as coisas nunca assumiram grande protagonismo, apesar de ser sabido que os clubes muitas vezes sobrevivem à custa deste ou de outro subsidio local ou estatal, e por vezes surjam alguns boatos menos abonatórios para os dirigentes desportivos locais (o que não sendo provado é manifestamente prejudicial quer para os visados, quer para os clubes) as ligações entre autarquia e associações desportivas nunca assumiram a dimensão de escândalo, tal como se tem vindo a observar em alguns clubes do norte do país, quem não se lembra do Marco de Canaveses e das manifestações histriónicas do seu caricato presidente (que por acaso também era presidente do clube desportivo local).
E é claro que quando surge alguma ligação de um clube a uma autarquia, logo surgem criticas desconfianças, basta dar uma vista de olhos pelos blogs locais e ver o que se tem dito sobre a ligação desta recente direcção do Ala-Arriba e o município de Mira, mas se fosse o Touring ou o Seixo, as “bocas maldizentes” surgiriam na mesma, as gentes dizem o que dizem não porque aqui em Mira se tenha feito algo de ilegal ou menos correcto (muito pelo contrário), as gentes falam porque é isso que ouvem diariamente na nossa bela comunicação social, que entupindo as artérias do pensamento dos cidadãos com Floribelas, Big Brothers e outros, vão fazendo esquecer os reais problemas do país (a educação, a saúde, a habitação e etc e tal). Pois não são os dirigentes os culpados, culpados são aqueles responsáveis que ano após ano têm deixado que isto suceda em total impunidade, culpados somos todos nós que ano após anos verificamos a vergonha da “futebolice” nacional e nada fazemos, quanto mais não seja mostrar mos a nossa indignação (o 25 de Abril serviu para algo mais do que a venda de cravos…). Critica se o futebol porque é fácil, diz se mal da Câmara porque dá jeito, mas assumir a opinião publicamente, isso já é outra história, não vá o diabo tecê-las, pois ainda posso precisar “deles” (esses que ninguém sabe quem são, mas todos se apressam a recorrer quando algo não corre como previsto)
Contudo, e apesar de serem recorrentes estas suspeitas, de ligações sujas entre estes dois mundos, poucos têm sido os realmente pagaram por essas ligações. Desde juízes que alegadamente acolhem em casa suspeitos, até fugas de informação dentro do próprio poder judicial, passando pelos dirigentes que ano após anos fazem as delicias dos amantes da imprensa sensacionalista, até aos juízes de campo que também não escapam ao “diz que disse”, todos continuam a dançar neste baile que parece não ter fim.
Alguém distribui migalhas, enquanto se entope que nem um alarve de grandes fatias do bolo. Já não se trata de só futebol, embora esteja envolvido, trata-se de um cancro que mina Portugal e que passa pelos dirigentes desportivos mas que não se esgota aí…

(João Luís Pinho)

sexta-feira, dezembro 08, 2006

um ano depois...

PARABENS MIRICES

o Mirices surgiu em Dezembro de 2005, no dia sete mais precisamente, um ano depois cá estamos... espero que bem
Aos que escreveram textos para este espaço um obrigado, ajudaram a fazer mais por nós, a todos os outros que comentando, criticando ou simplesmente manifestando a sua opinião, um bem haja pra todos.
Aceitamos a diferença, prezamos a verdade, aos que quizerem utilizar este espaço como meio de divulgaçao de ideias ou simplesmente como espaço publico de indignação ou regozijo, são bem vindos, o mail esta à disposição de todos...
Por cá continuaremos tentando mostrar mais do que alguns mostram, dizendo com palavras nossas o que por Mira nos vão dizendo, criticado por muitos adorado por outros, por cá estamos e estaremos...
A todos vós um enorme e sentido obrigado

terça-feira, dezembro 05, 2006

Confrades dos grelos em festa


Confrades dos grelos em festa
“Enquanto Confraria Gastronómica estamos vocacionados para comer…” Assim se apresenta a Confraria do Nabos, que no seu rol de propósitos, desde logo salienta a sua vocação gastronómica, não fosse ela uma confraria, para de seguida salientar que pretender promover o grelo, de nabo pois claro, e prestigiar a sua terra, os Carapelhos, Mira a Gândara, e também o nosso Portugal.
No passado sábado a C.N.C. (Confraria Nabos e Companhia) celebrou o seu V capítulo, juntando a mesa, pois claro, mais de 50 outras confrarias, provenientes não só de Portugal, mas também da vizinha Espanha, e de França.
Esta confraria, nascida em Janeiro de 2000, e que representa não só parte de uma classe de produtores agrícolas, mas também toda um população local que gosta de estar bem com os seus, e vê na mesa o local ideal para esta confraternização.
Como o seu logótipo (insígnia) o pode confirmar (Um barco funde-se com uma carroça encimada por um nabo. Símbolos de gente que, um pé na terra, outro no mar, labuta árdua e diariamente), ela, confraria, está entre a terra e mar, tal como esteve sempre habituado o habitante da gândara, pois foi com os rebentos da terra e com os filhos do mar que estas gentes se conseguiram aqui manter desde os tempos em que umas papas de farinha e abóbora, umas couves torcidas e um rabo de sardinha, eram manjar digno de reis, tal a penúria e as necessidades por que passaram estes povos.
Foi um dia de festa, com os confrades a servirem de cicerones, na sua sede, nos Carapelhos, aos colegas de cerca de 50 confrarias, que quiseram marcar presença nesta data especial para os nabos.
Depois da missa de bênção dos confrades, na igreja matriz de Mira, seguiu-se um desfile até ao quartel dos Bombeiros Voluntários, onde decorreu a cerimónia de entronização dos novos confrades, aqui Silvério Manata (membro da direcção da confraria) aproveitou para informar acerca da realização de mais uma Feira dos grelos da região da Gândara, já na sua III edição, a efectuar em Fevereiro de 2007.

“A associação CONFRARIA NABOS E COMPANHIA de Carapelhos é a única Confraria Gastronómica oriunda de uma aldeia.Para isso nasceu. Para autenticar a ruralidade, para homenagear e divulgar cada vez mais a genuinidade das suas gentes e dos seus grelos de nabo – alimento rico de aromas e sabores que, versátil, valoriza a gastronomia Gandaresa.E fá-lo desde o ano 2000.
Porém, esta terra, sendo mãe, (e é conhecida a nossa afeição à terra - mãe que nos embalou a infância) é simultaneamente madrasta porque, para além do berço modesto, com pouco mais nos mimou: herdámos-lhe um chão areento, quase estéril, que não enche cristãmente a boca a todos e obrigou a sangria grande de homens. Os que, mais apegados ao torrão natal, não ousaram tornar-se andarilhos entregaram-se a uma agricultura de subsistência cuja adiafa acontecia em Outubro. Mas incomodava-nos aquele sossego de Outono que se estendia até Janeiro. Dominando mal o impulso que nos impele a amanhar a terra para fecundá-la e garantir o sustento até ao ano novo, ensaiámos os grelos de nabo que, resistentes ao frio e apreciadores da humidade de Inverno, se adaptaram. O resto da história é conhecido.”
"o nabo foi um pretexto para valorizar o mundo rural, os seus costumes e tradições, uma memória que não pode ficar esquecida".De referir que a cultura de nabos e grelos constitui de 95 por cento da economia da região e emprega 60 por cento da população activa da aldeia de Carapelhos”

João Luís Pinho

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Espírito... natalício


O espírito Natalício
Gosto de fazer a árvore de Natal e montar o presépio, gosto da festa em família até percebo que o Natal tenha um encanto especial para as crianças, mas de ano para ano, com a fúria consumista cada vez mais exaltada, só me apetece ficar em casa.
A perene tarefa de ser pai: educar os filhos no espírito da quadra natalícia. Um dilema que me surge. Entre as minhas convicções pessoais, dominadas por uma inexplicável tristeza que me invade nesta quadra e o espírito familiar que me quer manter, aliado ao espírito tradicional do natal. No fio do arame, entre a desmistificação do natal como nos é vendido e a necessidade de sermos, pequenos elos, perpetuadores da tradição natalícia.
Depois, num esforço interior, tentar contar às crianças o que é o natal (modalidade pagã, apenas). Levá-las a acreditar no famigerado pai natal, essa pretensa invenção da Coca-Cola. O velho simpático, que mantém residência algures na distante Lapónia (não esquecer de apontar a dedo a localização no mapa), explicar porque traja de vermelho e enverga uma farfalhuda barba branca …ensinar-lhes que o pai natal viaja de trenó, movido a energia de rena milagrosa – umas renas que só existem perto do pólo norte, que se distinguem na fauna animal por serem os únicos quadrúpedes que conseguem voar sem terem asas. É preciso explicar-lhes o significado do dom da ubiquidade. Uma derivação metafísica impõe-se: fazer-lhes ver que as pessoas só podem estar num sítio de cada vez, que a nossa matéria não se pode pulverizar em múltiplas partículas para estarmos em muitos sítios ao mesmo tempo; o pai natal é diferente.
Por mais que vingue a convicção que o verdadeiro espírito natalício é o que cultiva sentimentos e não a posse de coisas, este exercício é remar contra uma maré poderosa. Um pai nada pode contra as ondas de markting consumista que incutem nas crianças a convicção de que natal é o momento em que são invadidas por prendas cada vez mais sofisticadas, (telemóveis 3G, psp, pda, consolas, mp3, mp4, portáteis...) uma enxurrada de novas tecnologias, para nos desequilibrar o orçamento familiar e deturpar o espírito de natal.
A partir dos feriados de Dezembro ir a um centro comercial torna-se mais violento e demorado do que qualquer etapa da história trágico-marítima; por maiores que sejam os parques de estacionamento, estão sempre a abarrotar. As escadas rolantes parecem escadas do metro em Tóquio e os corredores ficam iguais aos dos estádios de futebol em dias de finais. E depois, há o tema natalício, trabalhado e explorado até ao grau da loucura colectiva; são os enfeites de Natal, fitas, coroas, o Pai Natal electrónico que canta, ri e dança o vira, as flores, os arranjos, as luzes nas ruas, etc, etc. Nenhum pobre mortal consegue escapar à onda devastadora de consumismo que invade o país. Mas há coisas piores, como por exemplo as músicas de Natal. Uma pessoa chega a uma semana antes do Natal e os nervos já não aguentam as músicas natalícias, que ainda por cima são sempre as mesmas. Entre o Bing Crosby com o White Christmas e o coro de Santo Amaro de Oeiras, passando pela Mariah Carey e outros cromos, venha o diabo e escolha.
A hipocrisia que desdenha do natal consumista deve ser denunciada. Tenta educar as crianças no espírito descomprometido do natal, incutindo mais do que nunca, que os laços familiares se devem estreitar nesta data. Suprema hipocrisia! Como se isto apenas fosse emergente no natal e se pudesse esquecer durante os restantes dias do ano.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Incubadora ganha prémio

A Incubadora do Beira Atlântico Parque, em Mira, foi distinguida no European Enterprise Awards. A entrega do galardão é na sexta-feira, com a presença de Manuel Pinho.A Associação da Incubadora do Beira Atlântico Parque, localizado em Mira, venceu o primeiro prémio na categoria Vanguarda da Iniciativa Empresarial (Entrepreneurial Traiblazer Award)” com o projecto Dinamização de uma Região do Conhecimento, da Ciência e da Tecnologia Emergente e pela actividade que tem vindo a desenvolver ao longo destes anos na região Centro. Este prémio insere-se na iniciativa europeia European Enterprise Awards.
Vítor Cardial, administrador da Incubadora do Beira Atlântico Parque, disse .. . "esta atribuição valida o projecto global” da estrutura, porque o objectivo é “criar uma região do conhecimento e tecnologia, com um grande potencial de dinâmica, que é validada por este projecto”. Na sequência de um protocolo assinado com a Universidade de Aveiro, o administrador da incubadora explicou que vão funcionar “dois centros universitários – um laboratório de nanotecnologia e um centro de competências em código aberto – que visam dinamizar esta região”, integrados no sistema regional de inovação. Apesar de ainda não existir nenhuma relação protocolada com a Universidade de Coimbra, Vítor Cardial esclarece que o objectivo é que “os mesmos centros venham a ter uma relação próxima com a universidade”. Aliás, o “trabalho em rede é muito importante para dinamizar o tecido empresarial na área das novas tecnologias”, para que se alcance um trabalho capaz.
A candidatura da Incubadora de Mira (que agora vai representar Portugal nos prémios europeus de iniciativa empresarial) a este prémio foi avaliada pela originalidade e exequibilidade, pelo impacto na economia local, melhoramento das relações dos investidores locais e transferabilidade. Tudo isto se traduz na explanação de uma definição dos aspectos inovativos do referido projecto, que, pelos vistos, mereceu a primazia do IAPMEI – Instituto de Apoio a Pequenas e Médias Empresas.O prémio vai ser entregue sexta-feira, 24, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em cerimónia que conta com a presença do administrador delegado da AIBAP, Vítor Cardial, a directora do projecto, Sara Monteiro, e o presidente da autarquia, João Reigota."
Resta agora saber, para além dos prémios e das menções, a verdadeira operatividade e produtividade desta infraestrutura para um concelho como Mira. Apesar de construida e a sua inauguração para breve, muitos dos mirenses ainda não sabem, nem conhecem as verdadeiras potencialidades desta unidade de incubação.
Quanto a nós, saudamos os responsáveis e esperamos que esra iniciativa seja de facto algo que mude o panorama empresarial de Mira, para melhor é claro...
(J.P/DC/AB)

Mercado imobiliario e politica de solos

Mercado imobiliário e política de solos
Não basta que existam planos de ordenamento territorial. É fundamental que se promova uma cultura de respeito pelo interesse público, ao contrário das práticas hoje dominantes. A esmagadora maioria dos loteamentos apresentados a licenciamento visa aumentar indiscriminadamente os índices de ocupação e construção. As autarquias colaboram no processo, através de planos e engenharias financeiras para rentabilizar os terrenos públicos. O estado actual das finanças locais também torna as autarquias demasiado dependentes das receitas de urbanização. O resultado está à vista: uma enorme pressão especulativa sobre o território e uma excessiva prioridade à construção nova sobre a reabilitação e requalificação.
O mercado de solos e do imobiliário é aliás, neste momento, um dos mercados mais desregulados e, ao mesmo tempo, mais bloqueados em Portugal, o que parece um paradoxo, mas não é. O Estado tem de desempenhar um papel importante para tornar este mercado mais transparente e melhor regulado. É necessário criar instrumentos legais e financeiros que permitam às autarquias disponibilizar terrenos urbanos ou urbanizáveis a preços acessíveis, nos locais indicados. É imprescindível promover a reforma fiscal do património imobiliário, uma das áreas onde há, simultaneamente, maior evasão e maiores sobrecargas. E é necessário disponibilizar informação imparcial e actualizada sobre os valores das transacções, nomeadamente as que envolvem entidades públicas, que deveriam servir como valores de referência para regular o mercado e não serem elas próprias, como tantas vezes são, factores de especulação. Há a necessidade de o planeamento não ser apenas visto como uma questão de espaço, mas também de tempo, havendo um controlo público da expansão urbana, por exemplo, em vez de estar determinantemente dependente das iniciativas privadas, nomeadamente dos proprietários dos terrenos “para construção”.
À semelhança do que acontece na generalidade dos países europeus, não é aceitável a apropriação privada do essencial das mais valias geradas com o financiamento por fundos públicos de infra-estruturas e equipamentos. Nem pode a totalidade ou parte dessas mais-valias, embora apropriada pelos poderes públicos, deixar de se traduzir em receitas (e correspondentes despesas) devidamente registadas nos orçamentos, como acontece frequentemente com negócios entre Câmaras e particulares, “jogando” com loteamentos ou autorizações para construir. Os negócios com os clubes de futebol são, nesta matéria, um particular mau exemplo. A preocupação com este tipo de “desorçamentação” é tanto mais pertinente quanto é possível prever que, em contexto de dificuldade e de contenção financeira geral, aumente a tendência para os municípios procurarem formas de “arranjos” atípicos, com vista à obtenção de fundos financeiros acrescidos.
A regulamentação do mercado imobiliário implica ainda uma redefinição clara das responsabilidades e das exigências profissionais de todos os agentes envolvidos no processo construtivo. Só nesse quadro se poderão combater a má qualidade da construção, o elevado grau de proliferação de situações irregulares.
É indispensável a elaboração de cartas de solos que permitam a implementação, aos níveis municipal, regional e nacional, de uma verdadeira política de solos e de ordenamento do território.
Carlos Monteiro

segunda-feira, novembro 20, 2006

Míscaros na Mira ou míscaros de Mira

Num recente artigo que encontrei na imprensa diaria, surgia uma noticia em que a vizinha Cantanhede se afirmava como região afamada na gastronomia do míscaro, tal como a Bairrada o é pelo leitão assado. O que nos faz mais uma vez pensar, então e Mira, onde fica? Visto que pela capital do distrito já se encontram à venda os conhecidos "Miscaros de Mira".
Num artigo afirmava se que "No município de Cantanhede e entidades públicas ligadas à agricultura e florestas associaram-se a um grupo de investigadores do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra (UC), com a intenção de melhor conhecer e valorizar essa iguaria silvestre que, pelo Outono, brota nos solos arenosos dos pinhais da gândara. Dos resultados prevê-se uma aplicação prática, que permita potenciar essa riqueza, quer em termos gastronómicos, quer no agro-turismo, e ajude, um dia, a alcançar o estatuto de produto regional certificado. Pouco se conhece da biologia deste cogumelo e nessa curiosidade se motivaram os cientistas da UC, também estimulados pela importância e impacto que os seus resultados poderiam ter na economia das populações rurais daquela zona. Num primeiro projecto, financiado pelo programa AGROS, juntaram-se investigadores universitários ao Instituto para o Desenvolvimento Agrário da Região Centro (IDARC) e à Direcção Regional da Agricultura da Beira Litoral (DRABL). No decurso da investigação, iniciada no Outono de 2004, para decorrer durante três anos, pretende-se realizar um inventário das áreas mais produtivas, fazer estimativas de produção anual e testar processos de colheita. No segundo projecto, igualmente com a duração de três anos, mas financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, a investigação incidirá na biologia e ecologia do míscaro, saberes considerados indispensáveis para a gestão sustentável deste recurso. A segunda investigação, que se interliga com a primeira, e que deverá prosseguir em anos subsequentes, terá início antes da colheita do próximo Outono. "
O míscaro é um fungo, um organismo micorrízico. Vive em simbiose com certas plantas, neste caso com o pinheiro bravo, e através das raízes deste faz a troca de nutrientes, necessários ao desenvolvimento de ambos."Os cogumelos são a estrutura reprodutora. Quando são apanhados muito jovens, e fechadinhos, que é quando têm maior valor comercial, estamos, desse modo, a fazer a dizimação dos esporos".
No nosso concelho, sabemos que a madeira continua a ser o principal rendimento da floresta, mas a gestão sustentável do míscaro poderá revelar-se como importante fonte de receita para as populações da região e levar os proprietários florestais a um olhar mais atento sobre as matas, evitando desta forma também riscos de incendio (sustentabilidade pois então).
É necessario certamente que se inicie todo um processo de informação e sensibilização das populações locais, iniciando se pela difusão de bons métodos de colheita, formação das pessoas e a criação de um cartão de colector. Tudo isto poderão ser iniciativas municipais e possibilidades que a Câmara Municipal tem a obrigação de equacionar, pois caso contrário é um grande patrimonio biologico e economico que estamos mais uma vez a deixar lapidar por outros, à semelhança de outros produtos, cuja vocação estratégica como mais valia para a economia local, andamos a deixar de lado, esquecida, até que outros a venham aproveitar.
Poder se ia iniciar por um cartão de colector e pela promoçao acções de formação e sensibilização, também para "motivar os proprietários dos pinhais a proteger o que é seu, ao perceberem que o produto é valorizável". O míscaro (Tricholoma flavovirens) há muitos anos faz parte da gastronomia da zona das Gândaras. Nos mercados, o quilo deste produto oscila entre os cinco e os oito euros, e cada vez mais os concelhos da Gandara, e os seus pinhais são procurados por forasteiros no Outono.
Difundir as boas práticas, criar um regulamento e instituir um cartão de colector, em articulação com a fiscalização municipal, seriam varias das opçoes possiveis para proteger os interesses dos cidadãos do município, para que colham os benefícios de um produto da sua região. Se não houver cartão e regulamento vai-se delapidando um património", pela colheita desregrada e por um número cada vez maior de pessoas, seduzidos pela iguaria, ou em busca de uns recursos suplementares.
João Luís Pinho
(adp.)

quarta-feira, novembro 15, 2006

Direitos de Cidadania

DIREITOS DE CIDADANIA

A participação e o exercício da cidadania, com empenho e responsabilidade, são fundamentais na construção de um novo Concelho. A integração da cidadania na vida pública é já um direito adquirido, na relação entre Municípios e munícipes, caracterizado na construção de uma democracia participativa bem como pelos princípios da ética e da transparência. Esse contexto exige e promove melhorias nos Municípios, como também implica, quase sempre, a melhoria significativa da qualidade de vida.
A participação dos cidadãos nas questões da comunidade é condição básica para a consolidação da democracia. Permanentemente, os diversos segmentos da população devem levar ao conhecimento do seu Município as suas propostas, propor políticas públicas e acompanhar de perto a sua implementação. Os conceitos de cidadania têm-se mostrado, nesse sentido, um eficiente meio de participação da sociedade civil, permitindo a discussão dos problemas da comunidade com os Municípios na procura de soluções compartilhadas.
Os Cidadãos devem estar empenhados em discutir o seu Concelho, implementar e avaliar, conjuntamente, as políticas públicas voltadas para determinado segmento da população em situação de maior vulnerabilidade, podendo denunciar politicas erradas, sugerir projectos, fiscalizar a actuação do executivo municipal, exercendo, assim, o importante papel de cidadania.
Além disso, vivemos um momento em que reaparece a figura da liderança política como um dado empreendedor, capaz de gerir recursos de naturezas diversas tendo em vista a realização das necessidades dos cidadãos, na acepção mais ampla do termo. A cada dia que passa, acumulam-se os problemas pessoais e colectivos que, sem solução, são um peso para todos os cidadãos.
Os custos da máquina pública são muitas vezes maiores do que os seus resultados. Custosa, demorada e ineficiente, a burocracia do serviço público é o que mais impede a plena satisfação da cidadania e limita a sua participação, distanciando os governantes da população em geral. Todos somos mal atendidos e, quando conseguimos chegar até ao órgão público, em geral não temos resposta.
É notória a insegurança e o desconforto em que vivem alguns profissionais na sua actuação diária, quando se defrontam com indagações sobre as questões dos direitos do cidadão, que envolvem informações técnicas. A falta de conhecimento e outros factores que dificultam a participação democrática efectiva: o distanciamento da população em relação à administração pública, a linguagem tecnicista, a postura excessivamente formal de muitos profissionais e servidores públicos...acrescenta-se ainda o descrédito generalizado sobre a eficácia dos Municípios e dos seus departamentos.
Não bastando as dificuldades administrativas, a crise social, a burocracia, acrescentam-se as dificuldades políticas. É hora de incentivarmos como cidadãos, os Municípios, a uma actuação mais incisiva e adequada às necessidades locais, além de viabilizarmos a implementação de acções relativas ao nosso concelho.
O cidadão preocupado com o meio ambiente; deve fazer prevalecer as principais normas ambientais decretadas pela União Europeia e pelo Estado; Fazendo valer o papel de cidadão em relação à preservação do meio ambiente; assim como, aos desafios e perspectivas da formação de uma cultura ambientalmente correcta.
Como cidadãos devemos contribuir para melhorar a qualidade de vida através da construção de um ambiente saudável, que possa ser desfrutado por nossa geração e também pelas futuras. Vivemos hoje sob a hegemonia de um modelo de desenvolvimento baseado em relações económicas que privilegiam o mercado, que usa a natureza como recurso. Contra este modelo injusto e excludente podemos afirmar que todos os seres naturais, possuem um valor existencial intrínseco que transcendem valores utilitários.
Por isso, a todos deve ser garantida a vida, a preservação e a continuidade. O cidadão tem a missão de administrar responsavelmente o seu ambiente natural, não permitindo que seja destruído com a sede insaciável de possuir e de consumir. Apesar do quadro ambiental ser extremamente inquietante, existem cada vez mais pessoas que têm a consciência de que uma mudança é necessária, e possível.
Carlos Monteiro

segunda-feira, novembro 13, 2006

Novo campo de tiro... Será desta?

Foi aprovado no passado dia 25 o novo campo de Tiro de Mira, segundo deliberação declarada em reunião do executivo camarário.

E já vem tarde, pois esta decisão era esperada ha bastante tempo, e apesar de sabermos o quanto é importante para os praticantes da modalidade a actividade de Tiro com Armas de Caça em Portugal e sabendo tambem que esta tem assumido nas últimas décadas uma maior importância, tambem é certo que o campo de tiro retira alguma qualidade de vida aos mirenses, sobretudo aqueles que residindo mais perto , vêm os seus domingos e dias feriados envoltos num constante tiroteio, mais parece estarem em Bagdad, o que sinceramente nada abona para o tao badalado Turismo para Mira (e onde está ele?)

"A existência de um Campo sem dimensões e capacidade para realização de algumas provas, a construção da variante de Mira (2ª Fase), que irá eliminar o equipamento existente, a existência de conflitos devido à proximidade de uma unidade de Campismo, para além da não compatibilidade desta infra-estrutura com as normas de protecção e defesa ambiental, levou a Câmara Municipal de Mira a equacionar uma nova localização para este equipamento desportivo.
Esta nova localização insere-se na área do Plano Geral de Urbanização da Praia e Lagoa de Mira (Mata Florestal), estando o solo classificado em ambas as situações, no existente e na nova localização, em espaço REN e Rede Natura, pelo que não há alteração em termos de usos de ecossistemas, propondo-se a requalificação e revitalização do local onde está instalado o actual campo, proporcionando uma redução das áreas a impermeabilizar.
Por força da nova regulamentação de segurança e dimensionamento dos Campos de Tiro, e de forma a dotar o concelho duma infra-estrutura que permita a realização de provas nacionais e internacionais o novo equipamento terá quatro fossos olímpicos; (4 Pranchas de Tiro, 4 fossos olímpicos de lançamento), respectivo Equipamento de Apoio em estrutura metálica em estacaria, sistema de insonorização nas zonas de tiro e criação de barreiras acústicas naturais, estacionamento organizado não recorrendo à impermeabilização do solo, acesso ao equipamento pela estrutura divisional (aceiros) de forma a não realizar abate de arvoredo, vedação de protecção e segurança, sistema de recuperação de resíduos e desperdícios decorrentes da prática de tiro, promovendo a reciclagem e reutilização dos mesmos."
Como em tudo na vida no pesar, no ponderar é que esta a solução ou as soluções, e parece me que nos ultimos anos pouco se tem poderado em Mira, analisar custos e beneficios, ponderar acerca das oportunidades de investimento e promoção parecem temas que escapam aos nossos lideres.
Qual sera mais importante, um campo de tiro ou um campo de golf, será que um nao ira comprometer o outro? Um campo de golf quer paz e silencio, nao tiros e barulho. Qual a mais valia para o concelho? que perderá o concelho com a sua nova localização? Que beneficios obteram os mirenses com esta nova infraestrutura?
O lobbie da caça em Portugal é um dos mais fortes, ja pouco resta do regime livre e quem quer caçar tem de pagar, e isto tambem no nosso concelho.
Mira tem que se definir, tem que saber o que quer pra si e para os seus nas proximas décadas, e o futuro constroi se no presente. Pesar bem os prós e os contras destas infraestruturas é fundamental, nao podemos querer turismo de qualidade e industrias poluentes, assim como nao podemos esperar boa qualidade ambiental com toneladas de chumbo a serem depositadas ano apos ano junto a um ribeiro (a vala Regente Rei passa a escassos metros do actual campo de tiro).
Respeito os amantes da caça e os do tiro desportivo (não fosse eu filho de caçador), mas respeito ainda mais a qualidade de vida e o ambiente saudavel, e pelo que tenho visto nos ultimos anos será dificil compatiblizar ambos... o futuro pertence nos vamos tratar dele ja hoje pra nao nos lamentarmos amanhã.
Joao Luís Pinho

terça-feira, outubro 24, 2006

Agricultura Biologica

A agricultura é na generalidade dos países desenvolvidos, e em particular em Portugal, considerada como um sector com baixo dinamismo empresarial, com baixa atractividade para o investimento e baixo peso no PIB.
No entanto, do ponto de vista ambiental, por outro lado, a agricultura tem um peso muito superior ao peso que representa no PIB. Este peso reflecte-se na sua ocupação do solo, no seu impacte (negativo) sobre a biodiversidade, no seu consumo de água e no seu contributo para a poluição da água. Adicionalmente, diversos estudos têm vindo a demonstrar que a alimentação, analisada no seu ciclo de vida, representa uma das principais componentes do impacte ambiental do consumo.

Vemos também uma crescente importância dada na comunicação social aos problemas da segurança alimentar, com múltiplos escândalos relacionados com falhas nessa segurança alimentar, como a BSE ou os nitrofuranos.
Suponha agora que era possível juntar consumidores, agricultores e ambientalistas, a trabalhar em conjunto num projecto que permitisse dinamizar empresarialmente a agricultura biológica, promovendo junto dos consumidores produtos sustentáveis e com garantia de segurança alimentar, rigorosamente controlados no agricultor.
A agricultura sustentável é o resultado do uso da interacção dos métodos alternativos que utilizam a agricultura biológica, a biodinâmica, o controle biológico e o natural, visando o desenvolvimento de uma agricultura com o menor prejuízo possível ao meio ambiente e à saúde humana, onde se tenta aproximar o equilíbrio estabelecido nas relações entre os recursos naturais envolvidos nos sistemas produtivos agrícolas, do equilíbrio natural de um sistema ecológico.
O solo que sai das lavouras causa assoreamento e a poluição nos rios e represas, condição que acaba por afectar a potabilidade da água fornecida aos animais e aumentar o custo de tratamento da água fornecida à população urbana. A erosão do solo provoca perdas de solo, nutrientes e matéria orgânica; diminui a capacidade de armazenamento de água; altera os atributos físicos, químicos e biológicos do solo e promove a estagnação do rendimento das culturas a níveis abaixo do seu potencial produtivo. Além disso, a erosão do solo causa também problemas ambientais, económicos e sociais. Esta situação provoca a redução lucrativa da exploração e, ao mesmo tempo, tornam os produtos menos competitivos no mercado. Isso contribui para que muitos agricultores sejam levados à falta de estímulo e ao consequente abandono da agricultura. Com isso, agravam-se os problemas sociais em prejuízo de toda a sociedade.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 20.000 pessoas morrem por ano e milhões são envenenados directa ou indirectamente pelos efeitos dos agrotóxicos. Além disso, a própria terra torna-se inaproveitável pela contaminação por agrotóxicos reiteradamente usados, sendo este um dos factores de redução da sua capacidade, além de que os pesticidas prejudicam a saúde humana, contaminam a água, agridem os ecossistemas e deixam as pragas mais resistentes. Isto aliado à erosão, à desertificação e ao desaparecimento dos produtos nutrientes, por serem as mais significativas causas da degradação não somente dos solos, mas afectam em diversos graus, todos os recursos naturais, de forma directa e indirecta, resultantes dos maiores problemas da agricultura.
Estas constatações mostram a necessidade de se modificar a forma de agricultura, surgindo a emergente agricultura biológica. Dentro deste novo panorama, várias áreas da ciência têm mostrado respostas altamente significativas no desenvolvimento e adequação de estratégias tecnológicas, com custos baixos, altamente eficientes e adaptáveis à maioria das condições dos agricultores. Porém o maior desafio que ainda persiste na adequada transferência desta tecnologia é a completa aceitação/adaptação pelo principal beneficiado: o agricultor.
Entre as práticas de uso do solo com o objectivo de reverter o processo de degradação, as práticas vegetativas (cobertura do solo, adubação verde, rotação de culturas, cultivo mínimo e plantio directo) têm-se mostrado altamente eficientes. Além disso, outros factores benéficos tais como a recuperação de áreas degradadas, reciclagem de nutrientes, redução da infestação por plantas daninhas, pragas e doenças e a possibilidade de integração com a pecuária, são possíveis com o uso de tais práticas.
Entre estas tecnologias, pode-se citar o desenvolvimento e o avanço obtido para a agricultura biológica, que se tornou possível com a utilização de insecticidas biológicos, adubos naturais e esterco animal para fertilizar os campos, optando ainda o agricultor pela forma rotativa de colheitas para “não cansar o solo”. Sabe-se também que algumas empresas já estão a produzir enzimas que aumentam a dissolução do mineral fósforo contido nas rações para animais, diminuindo assim a contaminação do solo e da água quando os seus dejectos são utilizados como adubo orgânico.
Apesar da oferta e da procura ter aumentado, os produtos de agricultura biológica ainda não se encontram com muita facilidade. Só em grandes superfícies comerciais e em lojas especializadas mas a diferença dos preços deixam muitos consumidores reticentes. Os agricultores encontram grandes dificuldades na distribuição dos seus produtos. As grandes superfícies garantem a compra mas pagam o que querem, e as perdas (produtos não vendidos) são suportadas pelo próprio produtor. Por isso há todo o interesse em evitar essa intermediação com o consumidor final.

Soluções simples, mas eficientes são sempre muito bem vindas, principalmente as de baixo custo e adaptadas às condições locais, certamente, são um dos caminhos em que se pode ter a possibilidade de se promover a tão desejada sustentabilidade na agricultura. Algo aparentemente complexo, mas não inatingível, principalmente para quem tem o conhecimento, cria, adapta e aperfeiçoa a agricultura, contribuindo significativamente para a humanidade e para os recursos naturais.

Carlos Monteiro